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O ato e o efeito de viajar

Há algum tempo, quando o fim do ano chegava, eu fazia uma rápida relação entre férias e viagem em família. Via em nós 5 um sentimento de euforia e agitação. Os próximos dias me trariam recompensas de um ano vivido com responsabilidade e obediência. O meu meio seria exatamente o mar e a casa alugada próxima a ele, isto é, na areia, jogando frescobol, tomando um picolé e me lambuzando de protetor solar.

A expectativa de estar num lugar desconhecido despertava a vontade de me inserir em um mundo que não era o meu trivial, aquele dentro das normas sociais e de atividades que formavam o meu caráter e definiam as minhas preferências.

Esse momento de preparação me empolgava na montagem das malas, frasqueiras e bolsas. Colocava a sunga nova, a bermuda, a camiseta branca, o tênis e o chinelo. Tinha que estar bem arrumado e com uma aparência que garantisse a fama de turista. Seria um tempo para viver experiências novas e depois contar para os amigos, quando retornasse.

Atitude inconsciente? Sim, nada que fizesse pré, durante ou pós viagem era por mim planejado, pensado ou colocado em ação para garantir o sucesso da “operação viagem”. A simples sensação de acordar numa cidade onde eu não tinha horário para nada a não ser o de sair para a praia com o “sol bom” e voltar quando ele ainda não tivesse se transformado em vilão, tornava-me como um discreto hóspede da suíte presidencial do Four Seasons, na 57th Street de Nova York, cliente esse que reserva, desfruta e registra na memória as boas lembranças. Invisível. Vivendo o mundo dele.

Voltar os olhos e refletir não me impedem de conhecer o novo, pelo contrário, me fazem ver que hoje quando descubro um hotel com vista para o parque ou uma pousada pé-na-areia, me satisfaço da mesma maneira, aproveitando sensações que nunca vivi.

Hoje aguardar pelos feriados, férias ou que seja o próximo final de semana de viagem, me empolga no mesmo nível que antes, porém não é somente um período em que eu conto para os meus amigos a parte boa das pegadinhas da última aventura. É mais do que isso. É um tempo de pesquisa, coleta de opiniões de quem já viajou para o meu próximo destino, discussões de conceitos e benefícios que outros viajantes trocam comigo.

A família não mais viaja completa todas as vezes, mas a esse ciclo contínuo nas fases de pesquisar, usufruir e curtir os efeitos da experiência, já me levam antecipadamente para os destinos que são o hit do momento.

É ver possibilidade em tudo. É reconhecer uma marca invisível, mas que complementa e se equivale ao grande valor dos objetos de desejo atuais. Esse passa a ser efeito sustentável de uma viagem, que se torna impagável.

Conhecer novos lugares, novas pessoas, culturas e tendências. Descansar a mente fugindo do caos. Evoluir nas ideias e planos. É ter a criatividade estimulada, os projetos redefinidos. Vontade de viajar mais.

Talvez um argumento para a ciência cognitiva. É viciante. Prazeroso. Desperta os sentidos.


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